Carlos Miranda e Edmundo Macedo

Tudo
tem o seu tempo determinado e há tempo para todo
propósito debaixo
do céu:
há tempo de nascer e de morrer;
tempo de chorar e de rir;
tempo de abraçar e de afastar-se;
tempo de amar e de aborrecer;
tempo de guerra e de paz."
( Eclesiastes, 3 )
Ano
2000. Liguei o computador e verifiquei o correio eletrônico.
Foi assim que conheci o ubajarense Carlos Cunha Miranda, radicado no Rio
de Janeiro. Um homem de personalidade marcante, educado, gentil e acima
de tudo um amigo.
Primeiro
ubajarense
a se cadastrar no Grupo Migos e Migas, seus e-mails tinham calor humano.
A forma como escrevia encantava as pessoas. As palavras eram suas
fiéis amigas.
Eu editava o Informativo O Senhor da Canoa, fundado por Edmundo Macedo,
quando topei com o amigo Miranda. Em uma reunião de trabalho,
soltei essa: "Seu
Edmundo, o senhor não vai acreditar quem
eu encontrei na internet, o Seu Carlos Miranda!" E meu
chefinho do informativo ficou cheio de alegria em ter notícias
do amigo de infância, que há muito tempo havia perdido
contato. Contou as travessuras que os dois aprontavam quando menino no
Sítio Moitinga, e resolveu manter contato por correio. A partir
daí os dois retomaram a velha amizade por telefone e carta. O amigo
Miranda foi batizado por mim de MIGO INTERNAUTA 24 HORAS,
pelo fato de que não largava mais da internet. Era realmente incrível.
Quando eu mandava uma mensagem, em poucos segundos a resposta chegava.
Era sagrado para ele responder um e-mail e ai de quem deixasse de respondê-lo!
Carlos
Miranda esteve pela última vez em Ubajara em julho de 2001
para o I Encontro do Grupo Migos e Migas, aliás,
a idéia
do grupo ter encontros anuais partiu dele.Há 30
anos não
visitava sua cidade natal e as lembranças, os encontros com parentes
e amigos da infância lhe trouxeram muitas felicidades. Fiquei em
estado de choque no primeiro momento em que o vi entrar na minha casa.
Então
era verdade, ele era mesmo real. Chegou
logo me abraçando e me enchendo de agrados, parecia que éramos
amigos há décadas. A emoção foi muito grande
e por causa dele, naquele momento senti a responsabilidade de dar continuidade
ao grupo.
Durante o encontro chorei praticamente o tempo inteiro, emocionada em ver
Miranda e Edmundo juntos, entre migos e amigos. Houve um momento para
os corajosos obterem alguns minutos de fama no videokê,
e tanto Miranda como Edmundo arriscaram uma notinha. Visitamos o Santuário
Mãe Rainha, onde o Padre Tarcísio nos deu boas-vindas, a
Cachoeira do Boi Morto, o Açude Jaburu, etc, fizemos um verdadeiro
city tour em Ubajara.
Tenho muita admiração por esses dois
homens e noção do quanto eu fui importante e do que representei
em suas vidas, porque ambos me enchiam de tantos mimos e elogios ao meu
trabalho e a minha pessoa que até me encabulavam.
Nas eleições de 2000 Edmundo Macedo me deu uma tarefa: tirar
uma fotografia do candidato a prefeito Joaquim Lobo de Macedo com sua esposa
e de preferência com o candidato a vice ( Zezinho ) para publicar no
Informativo O Senhor da Canoa.
Pensei comigo o
quanto
seria bom se de repente encontrasse os três juntos. Pois encontrei.
Estava voltando de uma caminhada próxima a AABB com a máquina
na mão, quando os três estavam sentados na varanda da casa.
Tirei as fotos que o chefinho me pediu e cheguei em casa realizada!
Detalhe: minha máquina era das antigonas, não era digital
e já estava caindo
aos pedaços... Ao revelar as fotos, fui informada de que o filme
estava queimado e que
o
problema
era
com a máquina, a jurássica!
Enviei para o grupo uma crônica
a respeito desse acontecimento intitulado "Seria trágico se
não fosse cômico". Era um hobby escrever para o grupo
sobre tudo o que se passava comigo. O amigo Miranda logo me preparou uma
surpresa,
enviou
uma máquina digital Mavica, com dispositivo de disquete,
via sedex, afirmando "que
uma repórter precisa de uma ferramenta de verdade".
O
reencontro com o amigo Edmundo em Ubajara deixou para Miranda aquele
gosto de
saudade.
Miranda queria muito que Edmundo entrasse no mundo da internet para
ambos trocarem idéias de forma mais rápida e eficiente. Tomou uma
atitude generosa e presenteou o amigo com um computador. Todos esses
fatos eram
narrados
com muita
graça
para o meu e-mail particular. Miranda mandou um técnico na casa
de Edmundo, em São Paulo, para configurar a internet do mais novo internauta
ubajarense e dar umas aulas. Alguns dias de
adaptação
e os dois já estavam trocando mensagens na internet - mas isso não
durou muito tempo, pois Edmundo passou uns dias ausente do computador e
desaprendeu todas as operações básicas de envio e
recebimento de e-mails. Os dois voltaram 'as cartas via correio sem problemas.
Miranda
sempre enviava para mim um relatório da conversa entre os dois.
Eu admirava muito a cultura impregnada nessas cartas, ambos pareciam poetas.
Até o
dia em que eu viver vou lembrar que essa cidade gerou pessoas como Edmundo
Macedo e Carlos Miranda, e do quanto eu fui privilegiada em
ser amiga deles. Hoje eu me sinto mais órfã que antes,
mas ambos estão imortalizados em mim.
Por
Monique Gomes

Edmundo
Macedo, Modesto Alcântara, Ana Lúcia, Monique Gomes e Carlos
Miranda