


História
de Ubajara: primeiros habitantes
A
origem do nome Ubajara é indígena e significa
"Senhor
da Canoa". O nome teria surgido a partir da lenda de um
cacique que, vindo do litoral e dono de uma canoa, habitou
a Gruta
de Ubajara por muitos anos.
Em
1604, Pêro Coelho de Sousa empreendia dantesca tentativa de conquista
da rica região da Ibiapaba. Considerava-se
senhor absoluto daquelas terras o valente chefe tabajara "Diabo
Grande", que desfechou contra os invasores toda a sua força
e bravura. A habilidade do destemido açoriano e a superioridade
de suas armas, entretanto, lograram a vitória e não tardou
que, inteligentemente, "Diabo Grande" resolvesse receber em
sua Taba a Pêro Coelho e seus comandos, assumindo com eles
compromissos que jamais desrespeitaria. Aliados
nativos e brancos - posteriormente auxiliados pelos valorosos jesuítas
Francisco pinto e Luiz Filgueira - proveram o progresso das aldeias que
começam a proliferar às margens do arroio Arabê. A
obra benemérita dos jesuítas interrompeu-se, todavia, com
o trucidamento do Padre Francisco Pinto, ocorrido por ocasião
de uma cerimônia religiosa, no dia 11 de janeiro de 1608, em
local onde hoje se levanta a cidade de Ubajara.
Povoamento
e formação política
Os primeiros habitantes brancos que se fixaram no território que hoje
constitui o município de Ubajara foram os casais: Manuel Luiz Pereira,
Cosme Fernandes do Rego, Manuel Soares e Silva e Francisco Soares e Silva,
todos descendentes de portugueses, sendo o primeiro procedente do Apodi Rio
Grande Norte e os outros três, naturais de Riacho do Sangue, Ceará.
Manuel Luiz Pereira localizou-se no lugar "Pavuna" em 1836, hoje
Distrito Social de Jaburuna; Cosme Fernandes do Rego, no sítio "Pau-Pitanga" em
1839; os irmãos Manuel Soares e Silva e Francisco Soares e Silva, que
anteriormente haviam emigrado para Caxias, Maranhão, para aqui vieram
em 1840, estabelecendo-se o primeiro no "Sítio-do-Meio" e
o segundo no "Sítio Buriti".
Dessa primeira penetração resultou o povoamento do interior,
dedicando-se aqueles pioneiros à vida agrícola, desenvolvendo
várias culturas, inclusive a do café. Convém notar que
insignificante foi a contribuição do elemento servil no desenvolvimento
da agricultura do município, pois apenas os Soares e os Belarminos possuíram
escravos, e estes mesmos em pequeno número. Os demais exploravam o ramo
sem o auxílio dos negros.
Ainda hoje, as três famílias mais numerosas do Município
são os Soares, os Belarminos e os Fernandes, descendentes diretos daqueles
quatro casais.
A população autóctone de então já era bastante
escassa. Constituí-se de poucas famílias de indígenas,
remanescentes dos tabajaras, meio domesticados graças ao esforço
profícuo dos padres da Companhia de Jesus, sediados em Viçosa
do Ceará. Há tradição e vestígios da existência
de várias tabas nos atuais sítios "Marinheiro", "Buriti", "Suminaro", "Moitinga", "Itapiracema" e "Japitaraca".
Entre 1841 e 1860, aqui fixaram residência e constituíram famílias
os senhores José Rufino Pereira e Francisco Coriolano Pereira, filhos
do Capitão João Pereira Jacinto, português, radicado em
Granja, que se estabeleceram o primeiro no Sítio Marinheiro e o segundo
no Sítio Santo Elias.
O povoamento inicial da sede data da grande seca de 1877-79. Atraídos
pela extraordinária fertilidade da terra e abundância de brejos
perenes, e sobretudo, graças à generosa hospitalidade do cidadão
Manuel Rodrigues da Silva (por alcunha "O Goiaba"), que muito concorreu
para a fixação do primeiro núcleo de população,
amparando o sertanejo faminto e dando abrigo aos negociantes que vinham vender
tecidos e mercadorias e comprar gêneros, para aqui emigraram, procedentes
de vários Municípios mais assolados pela longa estiagem, diversas
famílias surgiram, assim, o primitivo arraial denominado Jacaré,
localizado à margem do riacho de igual nome, no Sítio Bela Vista,
hoje "Queimado", arruado este que se desenvolveu rapidamente, contando
já, em 1884, com um comércio ativo e acreditado, sendo os chefes
das principais firmas os senhores Esmerino de Oliveira Magalhães, Cesário
Ferreira da Costa, Aristides Barreto, João Ribeiro Lima, José Lopes
Freire, Manuel Joaquim da Silva e os irmãos João Benício
Fontenele e Raimundo Augusto Fontenele.
Excetuada a casa de Cesário Ferreira da Costa, que já era coberta
de telhas, todas as habitações do povoado, em número superior
a trinta, inclusive as casas comerciais, eram construídas de taipa e
palha.
Este primeiro povoado foi totalmente destruído no dia
8 de outubro de 1884, por violento incêndio que não
ocasionou vítimas pessoais mas acarretou vultoso prejuízo
material, especialmente ao comércio, desabrigou toda a população
e deixou grande parte das famílias em lamentável estado
de penúria.
A enormidade da catástrofe, entretanto, não abateu o ânimo
do povo que ainda no fim daquele fatídico ano começou a edificar
a nova povoação, conservando o antigo nome, no local onde ora
assenta a atual cidade de Ubajara, sede do Município, agora à margem
direita do córrego Jacaré, em terreno doado pelos senhores José Rufino
Pereira, José Lopes Freire e Joaquim Mulato, terreno este que presentemente
constitui o patrimônio foreiro do Orago da Paróquia São
José, cuja primitiva capela, por iniciativa dos dois primeiros doadores,
foi edificada em 1886 e benta, em 1887, pelo então Vigário da
Freguesia de São Pedro, de Ibiapina, Pe. Manuel Lima de Araújo.
Das edificações feitas naquela época, a primeira foi construída
por Esmerino Magalhães, que já sofreu algumas modificações
na sua estética externa e interna. Considerada um verdadeiro ninho de águias,
pois nela nasceram nada menos de quatro legítimos intelectuais de destacada
projeção nas letras nacionais: Raimundo Magalhães, escritor
e jornalista de grande talento, robusta inteligência e caráter
adamantino, irônico e combativo como poucos;
Abdelkar Magalhães, Doutor em Direito, advogado, orador e jurista de
mérito; Oscar Magalhães, professor emérito e poeta primoroso;
Raimundo Magalhães Júnior, jornalista, escritor e dramaturgo,
membro da Academia Brasileira de Letras.
Fato digno de registro: Raimundo Magalhães foi
a primeira pessoa que nasceu em Ubajara, isto é, na nova povoação.
Nasceu no dia 1º de março de 1885, primogênito do casal
Esmerino de Oliveira Magalhães - Francisca Máxima Magalhães
e o primeiro neto do casal José Rufino Pereira - Rita Soares Pereira.
Durante os cincos anos que se seguiram, a povoação desenvolveu-se
rapidamente, fazendo jus a que pelo Decreto n.º 123, de 24 de dezembro
de 1890, fosse elevada à categoria de distrito de paz, sendo o seu primeiro
juiz o alferes José Inácio de Sá.
Engrossando o coeficiente humano que aumentava em quantidade e qualidade com
a descendência dos primeiros povoadores, no último decênio
do século XIX, radicaram-se aqui, além de outras de procedência
ignorada, as famílias:
Pedro Pierre de Sousa, de Meruoca; Miranda, de Granja; Macedo, de Santa Quitéria;
Furtado, de Campo Grande; e Cavalcante, do Piauí.
A população cresceu bastante e a localidade atingiu um notável
grau de progresso com o desenvolvimento da agricultura e do comércio,
base sólida de uma economia estável que desde o início
do século passado lhe assegurava condições de capacidade
para a sua autonomia político-administrativa, a qual lhe foi finalmente
outorgada pela Lei N.º 1.279, de 24 de Agosto de 1915, elevando-a à categoria
de Município e Termo Judiciário.