História de Ubajara

Origem dos Fatos

Localização Geográfica

Acesso 'a cidade

Decreto de Emancipação

História Política

Hino de Ubajara

Parque Nacional de Ubajara

Atrativos Turísticos Naturais

Atrativos Turísticos Culturais

Gruta de Ubajara

Origem da Gruta de Ubajara

Fóssil encontrado em 1978

Lendas da Gruta de Ubajara

A Ibiapaba Francesa

Tanajuras

História do Araticum

Poetas e Escritores

Biografia: Edmundo Macedo

Miranda e Edmundo

Calendário de Eventos


Onde se hospedar

Hotéis e Pousadas em Ubajara

Pousada da Neblina
Av. César Cals.
Fone(88) 3634.1270

Marina Camping Hotel
Rodovia da Confiança
Fone(88) 3634.1364

Pousada Sítio do Alemão
Av. César Cals.
Fone(88) 9961.4645

Hotel Paraíso
Av. dos Constituintes
Fone(88) 3634.1913

Pousada Gruta de Ubajara
Av. César Cals.
Fone(88) 3634.1375

Pousada Senhor da Canoa
Rua José Agapito Pereira
Fone(88) 3634.1455

Pousada da Neuza
Rua Juvêncio Luis Pereira
Fone(88) 3634.1261

Hotel Serve Bem
Rua Juvêncio Luis Pereira
Fone(88) 3634.2048





Origem da Gruta de Ubajara

A exploração de minérios e a busca de tesouros escondidos foi sempre um estimulante para o desejo de enriquecer e lucrar, latente no coração do homem. Tentativas de relaxar a ordem régia nunca faltaram. Foi com este propósito que a 17 de Junho de 1738, Antonio Gonçalves de Araújo adquiriu a sesmaria concedida a 8 de janeiro de 1730 a Manuel Francisco dos Santos Soledade, terreno onde se suspeitava, desde muito tempo, existir minas de prata, exatamente no local onde se encontra a povoação de Araticum, município de Ubajara, no sopé da Serra da Ibiapaba. A ordem régia de Dom João V, datada de 27 de março de 1730, proibia o estabelecimento de minas no Brasil, exceto nas Gerais. Nem por isso as notícias sobre existência de metais preciosos no subsolo do Ceará deixaram de ativar a avidez de aventureiros que a todo custo tentavam conseguir a suspensão da determinação real. Antonio Gonçalves , homem perseverante, arbitrário e ganancioso, enviou ao Conselho Ultramarino requerimento, com longa exposição de motivos, solicitando permissão para explorar minas de prata existentes em terras de sua propriedade, tendo em vista as enormes vantagens para a fazenda real.
Corria o boato de que havia “tanta prata na ladeira de Ubajara que os indios a derretiam como caieiras deitando lenha em cima”. Diante de tais informações, o Conselho Ultramarino não tergiversou em expedir Provisão Régia, datada de 20 de abril de 1739, concedendo ao peticiante autorização para explorar a mina.
Antonio Gonçalves deu início imediato aos trabalhos utilizando como mão-de-obra dezenas de índios fortemente motivados pelo salário e pela curiosidade. O entusiasmo inicial foi cedo arrefecendo em face da estafante labuta e Gonçalves sentiu necessidade de reforçar seu prestígio e influência, tendo recorrido uma vez ao Conselho Ultramarino solicitando privilégios de jurisdição e autoridade para poder mais livremente conseguir a sujeição da indiada. Realmente obteve o que desejava, uma vez que a provisão régia de 3 de outubro de 1740 o nomeava superintendente oficial da mineração, o que não deixou de provocar atritos de autoridade com o Ouvidor Manuel de Farias que se tornou ferrenho opositor da empresa.

Animado pelos privilégios que lhe concedia o Reino, o superintendente chama da Europa uma comissão de mestres e oficiais experimentados em fundir e separar metais. A 15 de Outubro de 1742, enquanto os trabalhos de escavação continuavam em ritmo acelerado, é expedida nova carta régia concedendo permissão para que a comissão composta dos mestres João Fontenelle (francês), João de Oliveira Carnide e Estevão Gomes Madeira (portugueses) viajasse para Araticum com o fim de fazer os necessários ensaios do material selecionado na jazida. A comissão desembarcou na Barra do Acaraú e chegou ao local do acampamento de Antonio Gonçalves de Araújo a 9 de abril de 1743, prestou juramento perante o ouvidor a 22 do mesmo mês e iniciou os trabalhos a 27.
Diante dos primeiros pareceres negativos fornecidos pelos mestres europeus, o superintendente, revoltado, se desentende com a comissão, ameaça seus componentes de morte e denuncia o ouvidor como responsável pela má vontade encontrada nos técnicos comissionados. O desentendimento deu motivo a sérios motins e o superintendente representou em juizo contra os membros da comissão e contra o ouvidor, acusados de tramarem mancomunados contra sua empresa. Aposentado em Araticum, a 21 de Outubro de 1742, o Juiz Ordinário Domingos Alves Ribeiro dá início à longa e minuciosa devassa para apurar responsabilidades, sendo ouvidas trinta testemunhas, todas índios, “do arraial da Ubajara”, trabalhadores na escavação. Os dois portugueses são acusados de roubo e foram presos, por ordem do Juiz, meses depois no adro da Matriz de São Gonçalo dos Cocos onde se haviam homiziado. Enquanto isso, o Ouvidor, maliciosamente. Toma duas providências: a 25 de Julho de 1744 fez desembarcar para o Reino amostras de pedras comuns tiradas das escavações para serem examinadas nos precários laboratórios de Lisboa e, a 20 de Janeiro de 1745, denuncia diretamente ao Reino os atos de violência e arbitrariedades cometidas por Antonio Gonçalves.
O Ouvidor conseguiu o que desejava, pois o cientista Guilherme Dugood, em parecer datado de 22 de fevereiro de 1745, considerou “pedras comuns de enxofre e cobre” as amostras por ele examinadas, e a ordem Régia, de 15 de Novembro do mesmo ano, ordena que seja demitido o superintendente. Os membros da comissão foram absolvidos e retornaram à Europa, com exceção de Jean Fontenelle que preferiu permanecer na Ibiapaba, tendo fixado residência em Viçosa onde constituiu família.
Ainda como última tentativa de salvar o trabalho ingente de tantos anos, Antonio Gonçalves de Araújo, em longo relatório dirigido ao Rei e datado de 2 de Abril de 1746, reafirma a existência de prata, cobre, chumbo e ferro na mina de Araticum e denuncia o Ouvidor, por “ter roubado terras e cavalos que lhe pertenciam”. Mas, tudo em vão, o ex - superintendente não foi mais acreditado na corte e teve que desistir da agitada e tumultuária empresa. Visionário ou ávido de lucro, o certo é que Antonio Gonçalves de Araújo realizou trabalho persistente, vencendo difíceis obstáculos para encontrar riquezas, ao sopé da Ibiapaba.

Assim nasceu a Gruta... Sabendo-se que o atual povoado de Araticum dista apenas dois quilômetros da entrada da Gruta e que dezenas de índios durante mais de seis anos escavaram a base da serra, na ladeira da Ubajara, como atestam documentos da época, firmo-me na opinião de ter sido esta aventura de mineração a origem da famosa caverna. No interior da escavação, erodidas e sujeitas, durante mais de duzentos anos a toda sorte de intempérie, foram aparecendo as projeções vistosas, do teto e do solo calcários, constituídas pela precipitação do carbonato de cálcio contido nas águas de circulação subterrânea, nascendo daí a bela formação das estalactites e estalagmites que são as atrações mais sugestivas daquela caverna impressionante. Espero que o teleférico de Ubajara, não só transporte milhares de turistas para uma espécie de viagem ao centro da terra, mas principalmente desperte o interesse do povo para conhecer também as belezas culturais e as riquezas espirituais da Ibiapaba.

Texto de Pe. Fco Sadoc de Araújo