Edmundo
Macedo nasceu em Ubajara no dia 20 de Novembro de 1923. Filho de
Francisco Bahé Macedo e Francelina de Oliveira Lima. Seus
primeiros passos na área educacional foi em Ubajara, seguindo
para Sobral onde cursou o ginasial e científico no Seminário
Dom José Tupinambá da Frota. Infelizmente, por motivos
familiares, teve que abandonar o Seminário e seguir para Fortaleza,
a fim de aprimorar seus estudos, pois seu pai, Francisco Bahé Macedo,
desejava vê-lo formado na cidade de São Paulo. A investida
gerou sucesso, pois Edmundo não teve dificuldade em ingressar
na universidade. Formou-se em administração
de empresas. Neste período, conheceu sua esposa Clarice e
constituiu uma família de 3 filhos.
Em 1952 candidatou-se a Prefeito e também concorreu a uma vaga para
Deputado Estadual. Trabalhou no Banco da Audi como gerente, casa financeira – na época
empresa muito bem conceituada. Gerenciou por 12 anos o maior Shopping de São
Paulo,o Eldorado. Mesmo permanecendo todos esses anos afastado de sua terra
natal, sempre que aparecia uma oportunidade, retornava às suas origens.
Aposentando-se, sua primeira meta foi voltar. Aqui foi um incansável
filho. Trabalhou na área educacional como professor nas Escolas da rede
estadual e particular. Na área social, foi diretor do Ubajara Club,
onde teve a oportunidade de promover belas festas para a criançada que
era seu público alvo e juventude. Atuou arduamente junto ao Grupo Lions
ded Ubajara.Tudo o que fazia colocava o amor e a dedicação como
base e isto ajudava no sucesso de todos seus empreendimentos, ressaltando o
ENCONTRO COM A SAUDADE, evento que teve a finalidade reunir o maior número
possível de conterrâneos que há tantos anos se encontravam
ausentes de seus convívios familiares. Foi uma belíssima festa.
Falar pormenores de seu trabalho social seria enfadonho, pois foram muitos.
O jornalismo feito por amor, exerceu com dedicação, utilizando
o seu gravador de bolso e uma máquina fotográfica, companheiros
inseparáveis. O Informativo O Senhor da Canoa, revista trimestral de
24 páginas que era editado na cidade por Monique Gomes, relatava a vida
social e política do município, dando ênfase a fatos narrados
pelos próprios ubajarenses. Foram 9 anos de dedicação
ao Informativo, que teve colaboradores como Vicente Martins e Silvério
Alcântara, além de contribuições financeiras de
Mozart Cunha Freire, João Ribeiro Lima, Carlos Cunha Miranda, entre
outros. Esse trabalho ainda hoje é fonte para pesquisas escolares sobre
o município.
Em sua última viagem a Ubajara, já demonstrava um certo cansaço
e a família toda temia pela sua saúde. Foi quando, ao regressar
da “terra do seu primeiro sono” , como dizia, teve uma lesão
cerebral que ocasionou a morte, no dia 1o de Outubro de 2004. Até os últimos
minutos de sua vida, chamava por Ubajara. Suas cinzas foram sepultadas no Cemitério
São José de Ubajara, como era o seu desejo, no dia 26 de Outubro
do mesmo ano, após uma celebração eucarística na
Igreja Matriz de São José.
Deixou saudades e lembranças inesquecíveis de uma vida de amor
e dedicação aos familiares e à causa pública.
Esse texto é de autoria de Francion Macedo.
Edmundo
Macedo por ele mesmo
Em Novembro de 1923 chegava um menino, filho de Francisco Bhaé Macedo
e Francelina de Oliveira Lima. Seu nome: Edmundo Macedo - de olhos pretos,
dengoso e chorão, era muito chegado a mingau com leite mugido, só faltava
morder o bico da mamadeira. Aos poucos foi crescendo e sempre ia aos domingos
para a feira comer goiabas descascadas, uma delícia...
Tinha a mania de coçar os ouvidos com o dedo. Levado ao farmacêutico
Sr. Manoel Miranda para corrigir a coceira, foi medicado com gotas de óleo
de macaúba de cor cinzenta, leguminosa.Para os curiosos foi um achado
medicinal. O menino foi crescendo, não muito e a vivacidade bem vigorosa.
Gostava de tomar banho na lagoa bem próxima. A meninada se deliciava.
Tomavam banho bem pelados, na maior gaiatice com calção ou cueca
de botão. Pulavam numa folia que fazia bem. Na hora do almoço,
falavam uns para os outros: nada para que te quero! E corriam felizes apostando
quem chegaria primeiro. Um dia de domingo, atrás da Igreja São
José, havia um alegre leilão com bolos, cerveja, copo de garapa,
rapaduras, queijo fresco, galinhas, capotes, galos, capões, marrecos
e gaiolas com sabiás, canários, sendo leiloados e aplaudidos
pela Banda de Música do Mestre Feitosa e Albertino, até altas
horas da madrugada. Eu estava lá bisbilhotando tudo o que faziam com
maior sorriso da paróquia de São José.Ao chegar em casa,
quase manhã, com aquele frio, bebia uma xícara com café bem
quentinho e ia direto para debaixo do cobertor da cama macia. Ao dormir, esnobava
ligeiros roncos e um assobiar de cantos invisíveis brincando de dormir,
que beleza!